"Eu sou um cachorrinho abandonado e com o dono tão incorreto, entende? Nem eu. Você nem sabe que é meu dono, mas tem todo poder sobre mim. Desde a hora em que eu acordo descabelada pela manhã, até a hora em que vou dormir feito um lixo por não ter te visto ou não ter conversado com você . Em tudo isso você está me controlando. Aliás, você me controla até quando está dormindo. E eu acho bom assim. Você não sabe, mas está bem. Anda mansinho e vem pra mim, anda? Eu tentei de dez maneiras te fazer me amar. Eu fiz um desenho de nós dois com um coração bem no centro da folha de papel. Eu te dei o pacote preferido de balas. Chamei você de meu amor. E mostrei tudo que sentia. Mas você não deu a mínima, e até achou engraçado. Eu chorava, e você estava rindo. Eu abaixava o rosto, e você dançava frente a Lua. Abracei mamãe, você abraçou a primeira que viu. Nós perdemos o contato com nós mesmos. E agora sim, estou na rua. Todo mundo está passando, está vendo só? Ninguém olhou para mim até agora. E a cada dia, eu sinto que estou mais sozinha, e distante da sensibilidade que eu gostaria que você tivesse. Quero seu bracinho para beijar. E seu cabelo para acariciar. Anda mansinho e vem pra mim, anda?"

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